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você canta tão bonito, deixa todo mundo aceso e não percebe

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

creme ocidental

umberto belém. bom de Bic.
ex religioso unidos sem cacife
tarde qualquer
na fila do tédio
veio um poeminha de portão 
pariu no papel um clássico
reciclável, concreto, sua solução:
acendeu
e explodiu!
tomou a vaga brasileira
no concurso público pra Poetas do Brasil
(às más línguas,
seu mês agora engorda cinco mil)
a vida agora é essa
delírio no batente
cafezinho sem pressa
e bicando o país
pra frente!
ontem mesmo
belém deu uma mão
contra a dívida mobiliária
descolando uma campanha
da própria cara :
cobre o aluguel da estante
saque o poeta
no instante.

zooética

a p a l a v r a v a i a 
b a r 
b e a 
r i a 
b a r - b a r i e!
v o a
p r a
v a l a

baba imperial

quando nada pela rua
a par, à mercê do tempo
arrastando as palmas nos muros,
um trago eu recomendo;
a sós
de ideias canhotas

de costas pro monumento
meus olhos são gaivotas

Like a virgin oswaldiano

ataque ao pico
fellini cheio de dente
ata que o pico
PAU
na semente
que o tal pica
explico
é pique pra gente

sábado, 25 de dezembro de 2010

amarelado

não deixemos o amor em meio a solidão das coisas
o meu amor
defendo com um xaxado
não o quero tatuagem deste mundo
desejo antes
o amor-filhote 
para cima, para baixo
carregado
bilingue a dois, nós
saber suas peças
catar o que lhe escapa
enterrar as promessas
para o sim, para o não
recarregado
um amor criado
à prova de m'água
que more na selva
sem nome sem contato
querendo seu namorado

domingo, 5 de setembro de 2010

Hermetismos pascoais

inda cedo,
seu olhar fez barulho
depois, muitos dias
seu olhar fez ritmo

tudo interrogo àqueles olhos
e minhas respostas são notas
pra qual das sete se muda seu sim?
e mais seu olhar compõe
e me atrai no assobio
e faz caminho,
sigo,
entra num ouvido
sai pela minha boca;
desafina

esses olhos
própria melodia piscam
e brinco com eles
detetive
tudo interrogo àqueles olhos
par soante,
mais música responde
e brigo com eles,
assassinam

dois instrumentos
solando às esquinas
me aviso em seu lugar:
sua, menina.

Liberalismo


A segunda traiçoeira
Me pôs às ruas
E zanzando
Mal acordado
Contava a solidão
Nos centavos
Assim, ordeno meu dia:
Cólera, coleira ou poesia

As velhas na janela
Com o dia a preencher
Malícia desde a hora seis:

Como que isto pode?
Senil aos 33
E o demente levanta cedo
Cego d`um olho
Louco do outro
Esse dá trabalho pra morte!