quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Corredor

nosso tudo é discreto, mas à tona também
chama escapando cautelosa por entre
finas cortinas de miçangas
barulho fundo coloridas.

piso gelado, boca gelada
sob uma luz atípica
mútua armadura cedendo na chance
és simpatia das fortes
em mim, pétala e farpa
teu encanto é na palavra armada
uma a uma colando-se em minha testa
pálpebras sobrancelhas cílios...
peso do teu ritmo.

peço passagem
pedes atrito

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Pró-sedimento pra espertar garota

jogada na corrida:
alcançar as sinetas, tocar uma
receber a medalha do consenso
inspirar e expirar todas as razões


domingo, 17 de fevereiro de 2008

apítrico

ataque ao pico
felino incandescente
culto ao pique
o da Gente
ata que o pico
catar todas suas cores
bárbaro apítrico
anda, doce e, morando na pose;
clarão, botão, alão

11/02/2007

domingo, 16 de dezembro de 2007

a hora da reestréia

desde semana passada decidi: ficaria doido o mais rápido possível.
anotei o que queria num pedaço de papel e engoli. esperei. adormeci.
na minha cabeça a tal lagoa escura, um beijo de rosto e
uma conversa vencida. sinto-me um rio.
ratos leões cobras gafanhotos;
expulsei-os da batida do meu coração. pois o amor,
nos meus tempos de menino regulado, fez do meu peito
um terreno fácil pra tantas espécies que meu nome fragmentou-se.
minha boca era só lama e meus olhos já estavam tontos.
eu, reprocesso. as letras que degluti se faziam sementes no meu corpo,
regadas pelo meu sangue de ex-voluntário.
promessa de homem para lobo:
cultiva em mim o que decide.
fiquei, no entanto, um doido demorado.
despertei com som ousado: beijo de risco.
meus olhos estavam prontos e minha boca era só chama.

Açougue

dorso de vício.

meu confronto agressivo de quem precisa sustentar um conto e uma luz de lâmpada pelando.
eu me traio. trevo, tampa, tombo, tempo... o amor é ator revirando meu egocentro, obstinado, fumaça lenta. chegou no fim do ano nos raios de uma chuva que, rapidamente, me tomou a porta. seu coração é violento. e do dia pra noite te acorda arrancando os lençóis e sobrando disparado. o amor sabe ser paixão. e vence embates sem desespero, a pureza da violência que vence e entrega sua própria arma, o poder do corpo. amar é sem armadilhas, mas reluto. enquanto procuram amores, como fruta em feira, como tropeços, pinto-me em frente ao açougue. e me atiro no dorso do vício até a lâmpada queimar.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Desconstrução

vim aqui somente pra comentar sobre o que muito (ou mais) me interessa: música. não lembro bem o que estava fazendo - talvez estivesse apenas em pé na sala ouvindo o rádio -, mas sei que o telefone tocou. minha prima atendeu e me chamou:
- bárbara, minha tia!
____________________________
- oi, mãe
- Oi, você quer tentar concurso público pro Banco do Brasil?
- mãe. tá doida? não tem a ver, não estudei...
- É pra
Escriturário.
- mas
- Bom, perguntei por educação. Vai fazer e acabou. Você, sua irmã, prima, todo mundo.
____________________________
* às vezes eu tenho certeza de que o melhor a se fazer é correr atrás logo atrás de um cargo desses. voltei para a sala, voltei a ficar de pé para a música, voltei atrás.
nada menos que a seríssima "Aracaju" e seu ultimato: o melhor é ter amor.

sábado, 21 de julho de 2007

construção.